Choupos
Minha vida sempre foi um quarto cheio de coisas.
Embora pequeno, seu papel de parede era um bosque de choupos à noite, o que lhe concedia uma imensidão maravilhosa.
O teto era cheio de estrelas e tinha uma lua vigorosa que iluminava as árvores e o caminho desenhados nas paredes.
Toda essa beleza me fascinava
Eu, me entregava de alma e corpo aos meus brinquedos diários, mágicos e cheios de cores e formas, rodeado por todo esse mundo. Um mundo lindo. Meu mundo.
Algumas vezes cogitava viajar, ver outras paragens, entrar naquele bosque, pegar o caminho… Mas eu tinha medo e todo o tempo do mundo. E tinha meus brinquedos!
O bosque sempre estaria ali.
Por ter certeza que poderia sair quando desejasse, nunca saí.
Morri.
O que nunca compreendi quando vivo, é que eu estava preso num quartinho, com paredes decoradas de ilusão. Mas por me achar livre, nunca vi que toda a possível liberdade era um sonho: tudo o que era oferecido como horizonte desapareceria tão logo eu desse alguns passos rumo ao choupal.
Por me achar livre, nunca fui livre. Por saber ter o mundo, nunca saí do meu quarto. Por saber tudo, nunca soube nada.
Nem sei se, mesmo após ter morrido, estou realmente livre.
É porque não confio mais em liberdade alguma.
October 17th, 2009 at 3:29 am
Olá colega de faculdade! rs
Não sabia que você tinha um blog… acabei de ver no Twitter e vim aqui dar uma lida na madrugada…
Gostei muito!!!
Continue atualizando, agora você ganhou mais uma leitora rs
Esse texto aqui ficou belíssimo… “Coisas da vida que morrem”, particularmente, então, é um lindo texto, e me deixou sem ar por uns segundos, não esperava o fim e levei um sustinho rs Um texto muito tocante, fato!
Abraço!