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	<title>Salix et Pluvia</title>
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	<description>::: Vida, morte, poesia, desencanto :::</description>
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		<title>A Crença Nossa de Cada Dia</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 04:12:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Despoesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Tenho um tio que mudou de religião. Acho que todos nós temos alguém que deixou de ser alguma coisa em algum momento da vida. Talvez até nós mesmos o tenhamos feito algum dia. E que mal há nisso? Bem, há muitas pessoas por aí que são como o meu tio. Muitos deles já passaram por mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho um tio que mudou de religião.</p>
<p>Acho que todos nós temos alguém que deixou de ser alguma coisa em algum momento da vida. Talvez até nós mesmos o tenhamos feito algum dia. E que mal há nisso?</p>
<p>Bem, há muitas pessoas por aí que são como o meu tio. Muitos deles já passaram por mais de cinco ou seis religiões e continuam suscetíveis a qualquer eventual mudança. Aliás, não é mudança: segundo muitos, é BUSCA.</p>
<p>E que mal há nisso, Deus do céu?</p>
<p>Nada, se religião não for realmente importante. Muito, se pensarmos o contrário.</p>
<p>O fato de que cada um possa mudar de religião a seu bel-prazer não abriga problema algum, afinal, no Brasil existe,<br />
o que é muito bom, grande liberdade em relação ao tema.</p>
<p>No entanto, alguém &#8220;mudar&#8221; de fé sem pensar duas vezes, por fatos dos mais triviais, revela uma procura não por um Deus, mas por todo um meio-ambiente, um aparelho de coisas; na verdade, por elementos puramente sociais ou que se<br />
encaixem ao seu modo de viver, longe de qualquer fagulha de espiritualidade ou evolução.</p>
<p>Basta um ser que se locomova passear por qualquer bairro de São Paulo (Brasil) para se deparar com um bom número<br />
de igrejas, algumas das quais simples armazéns com portas de aço ao mais puro estilo &#8220;padaria de bairro&#8221; (só que sem cerveja e sem X-salada mas com muita caixinha). Cada uma destas padarias da fé configurada para determinado tipo de &#8220;crente&#8221;: para os que acreditam no evangelho X, outros que concordam com tal coisa que ocorreu em X parte da Bíblia, mas interpretam de um modo diferente da igreja Y.</p>
<p>Afora os que realmente se fincam em uma igreja por alguma sorte de convicção realmente constante nas Escrituras (embora &#8220;constar&#8221; seja sujeito a interpretações das mais variadas), existem os turistas, os que mudam, migram quando o pasto fica escasso (e &#8220;pasto&#8221; aqui tem uma gama enorme de significados) ou quando haja algo que não se encaixe em seu modo de ser. Aí, basta entrar em outra e dar testemunho do quão ruim foi a experiência anterior e fazer novos amigos: aproveitar os novos horizontes.</p>
<p>Isso acontece em igrejas e templos (seja lá qual for a diferença entre as duas) e tudo que envolva crenças devidamente formalizadas (ou não) e sediadas (ou não). Embora o Papai Noel esteja sediado no Pólo Norte, não conta. Ele não pede, ele dá.</p>
<p>Esse meu tio entrou numa seita secreta, que existe há mais de 16.000 evoluções terrestres, fundada por alienígenas do planeta Sonja, na galáxia de Conan. Foram expulsos por não acreditarem no então líder da Espada Selvagem de Uruk, Bramir.</p>
<p>Dizem que existe uma certa analogia mística desse pessoal degregado e a Bíblia Sagrada e a expulsão dos anjos caídos&#8230; Vai brincando!</p>
<p>Mas esse meu tio não fala mais Amén, e sim Bakelai. Reza diante de um círculo de mármore amarelado com pedestal,<br />
vendido-cedido pela Ordem por um preço &#8220;de Deus pra filho&#8221;, apenas para manutenção das bases terrenas.<br />
Lê um livro (e só um), cedido do mesmo modo pela Ordem, e encontra semanalmente seus irmãos de Sonja.</p>
<p>Bem, tanto as ovelhas acima que mudam de pasto quanto esse meu tio procuram não um Deus, mas novidade, gente nova, linguajar novo. Procuram  tudo menos evoluir ou algo no quesito aperfeiçoamento.Procuram, na verdade, achar um lugar onde se sintam confortáveis do jeito que são, sentindo-se puras e superiores, a despeito de todo o rol de defeitos dos quais são hospedeiros.</p>
<p>Enfim, o tal sincretismo que existe aqui no nosso Brasil é um sinal de liberdade belíssimo, sem margem de dúvida. (Não para mim, mas fica bonito falar isso).</p>
<p>Bem, eu posso mudar de religião, posso frequentar duas, posso acender uma vela pra Xogun e outra pra Sandokan.</p>
<p>Isso demonstra, muitas vezes enganosamente confundida com &#8220;mente aberta&#8221;,  falta de fé e falta de seriedade no que se &#8220;acredita&#8221;  ou, o que é mais triste,  tentativas de testar todas e ver qual dá o resultado desejado, tendo em mente apenas o &#8220;venha a nós o Vosso Reino&#8221;.</p>
<p>Confesso que já não acredito em muita coisa. Acredito, porém que acreditar não pode ser menos que torcer pelo meu time.</p>
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		<title>Ir</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 03:40:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Um belo dia a gente não acorda E se vai Ou não acorda alguém E vai-se um pouco nesse ir Por isso eu temo amar Porque a gente Aqui Só ama coisas que se vão Ou gente que se vai E mesmo esse muito amar nosso Por mais que dure Esvai-se todo Um dia Nesse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Um belo dia a gente não acorda</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">E se vai</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Ou não acorda alguém</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">E vai-se um pouco nesse ir</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por isso eu temo amar</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Porque a gente</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Aqui</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Só ama coisas que se vão</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Ou gente que se vai</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">E mesmo esse muito amar nosso</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Por mais que dure</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Esvai-se todo</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Um dia</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Nesse nosso ir só nosso</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">De ir-se totalmente</div>
<p>.</p>
<p>.</p>
<p>Um belo dia a gente não acorda</p>
<p>E se vai</p>
<p>Ou não acorda alguém</p>
<p>E vai-se um pouco nesse ir</p>
<p>&#8230;</p>
<p>Por isso eu temo amar</p>
<p>Porque a gente</p>
<p>Aqui</p>
<p>Só ama coisas que se vão</p>
<p>Ou gente que se vai</p>
<p>&#8230;</p>
<p>E mesmo esse muito amar nosso</p>
<p>Por mais que dure</p>
<p>Esvai-se todo</p>
<p>Um dia</p>
<p>Nesse nosso ir só nosso</p>
<p>De ir-se totalmente</p>
<div>.</div>
<div>.</div>
]]></content:encoded>
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		<title>A dois (in memoriam)</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 02:48:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[. . Sempre que olho nosso túmulo Jogo alguma coisa nele Não sei se flores ou se nada Ou se um nada de lágrimas forçado Ora eu sempre visito onde um dia morremos E mesmo quando deixo um nada Deixo Por já ter deixado muito em nossas vidas Ora eu sempre nos visito E sempre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>.</p>
<p>.</p>
<p>Sempre que olho nosso túmulo<br />
Jogo alguma coisa nele<br />
Não sei se flores ou se nada</p>
<p>Ou se um nada de lágrimas forçado</p>
<p>Ora eu sempre visito onde um dia morremos<br />
E mesmo quando deixo um nada<br />
Deixo<br />
Por já ter deixado muito em nossas vidas</p>
<p>Ora eu sempre nos visito<br />
E sempre algo fica<br />
E sempre ainda vou ou ainda venho<br />
Ao nosso cemitério</p>
<p>Só que mesmo mortos juntos<br />
Nunca te vejo nos visitar</p>
<p>.</p>
<p>.</p>
<p>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Choupos</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 15:46:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Minha vida sempre foi um quarto cheio de coisas. Embora pequeno, seu papel de parede era um bosque de choupos à noite, o que lhe concedia uma imensidão maravilhosa. O teto era cheio de estrelas e tinha uma lua vigorosa que iluminava as árvores e o caminho desenhados nas paredes. Toda essa beleza me fascinava [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center">
<p align="left">
<p align="left">
<p style="text-align: left;"><img class="aligncenter" title="Choupos" src="http://www.nilson.delourenco.nom.br/pix/choupos.JPG" alt="" width="379" height="300" /></p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Minha vida sempre foi um quarto cheio de coisas.</p>
<p align="left">Embora pequeno, seu papel de parede era um bosque de choupos à noite, o que lhe concedia uma imensidão maravilhosa.</p>
<p align="left">O teto era cheio de estrelas e tinha uma lua vigorosa que iluminava as árvores e o caminho desenhados nas paredes.</p>
<p align="left">Toda essa beleza me fascinava</p>
<p align="left">Eu, me entregava de alma e corpo aos meus brinquedos diários, mágicos e cheios de cores e formas, rodeado por todo esse mundo. Um mundo lindo. Meu mundo.</p>
<p align="left">Algumas vezes cogitava viajar, ver outras paragens, entrar naquele bosque, pegar o caminho&#8230; Mas eu tinha medo e <em>todo</em> o tempo do mundo. E tinha meus brinquedos!</p>
<p align="left">O bosque sempre estaria ali.</p>
<p align="left">Por ter certeza que poderia sair quando desejasse, nunca saí.</p>
<p align="left">
<p align="left">
<p align="left">
<p align="left">Morri.</p>
<p align="left">
<p align="left">
<p align="left">
<p align="left">
<p align="left">
<p align="left">O que nunca compreendi quando vivo, é que eu estava preso num quartinho, com paredes decoradas de ilusão. Mas por me achar livre, nunca vi que toda a possível liberdade era um sonho: tudo o que era oferecido como horizonte desapareceria tão logo eu desse alguns passos rumo ao choupal.</p>
<p align="left">Por me achar livre, nunca fui livre. Por saber ter o mundo, nunca saí do meu quarto. Por saber tudo, nunca soube nada.</p>
<p align="left">
<p align="left">Nem sei se, mesmo após ter morrido, estou realmente livre.</p>
<p align="left">
<p align="left">É porque não confio mais em liberdade alguma.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Coisas da vida que morrem</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 04:23:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Me lembro muito bem da noite do velório do meu pai. Aquele peso sem ar, realidade meio onírica, meio chuva, meio lama, meio tudo o que ninguém esperava acontecer,  mesmo tendo consciência disso a vida toda. Nunca é diferente: o trem chega sem avisar e não há relógio na estação. Me lembro do sonho que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="left">
<p align="left">
<div class="mceTemp">
<dl id="attachment_41" class="wp-caption alignnone" style="width: 488px;">
<dt class="wp-caption-dt"> </dt>
</dl>
</div>
<p><img class="aligncenter" title="Dead Bird" src="http://www.nilson.delourenco.nom.br/pix/dead%20bird.jpg" alt="" width="400" height="271" /></p>
<p>Me lembro muito bem da noite do velório do meu pai.</p>
<p align="left">Aquele peso sem ar, realidade meio onírica, meio chuva, meio lama, meio tudo o que ninguém esperava acontecer,  mesmo tendo consciência disso a vida toda. Nunca é diferente: o trem chega sem avisar e não há relógio na estação.</p>
<p align="left">Me lembro do sonho que tive um dia depois, onde o livro de presença do velório havia sido assinado por um  “visitante” de nome exótico, mas com caligrafia idêntica à do meu pai. Isso me confortou muito naquela hora, pois significava que ele ali estivera, e, sendo assim, havia vida após a morte, a despeito de tudo o que me era mostrado e dos rostos pálidos e incertos das pessoas que rodeavam o caixão.</p>
<p align="left">Me lembro das coisas que não falei, do abraço que dei meio sem jeito e dos que sequer dei, dos minutos que recusei, sempre confiando na eternidade dos momentos futuros. Mas esses momentos, em um dia como outro qualquer, não vieram mais. Tudo o que nunca fora dito jamais seria dito. Embora tenha escrito dois ou três poemas após sua morte, sei que serão lidos apenas pelo deus do nunca, o deus de um universo paralelo, onde tudo o que não foi, é. Se é que é.</p>
<p align="left">Os anos se passaram e a vida, como sempre, brotando e matando aos milhares, me fez novamente surdo aos clarões que a morte traz. Novamente, os momentos se tornaram coisas adiáveis. Novamente me tornei humano, cheio de certezas e cheio de &#8220;amanhãs&#8221;.</p>
<p align="left">
<p align="left">Há pouco tempo, estava refletindo sobre uma frase, acho que de Fernando Pessoa, que diz que em um velório, o único defunto são as coisas que não fizemos ou não dissemos.</p>
<p align="left">Há pouco tempo também, fui a um velório de um pai de um amigo meu. Lembro que vi esse meu amigo desmoronado, sem pilar, sem norte nem oriente. O mundo cai, tudo perde o sentido e todos se tornam pontos de interrogação. Não tem jeito. Fiz “minha parte” e fui dar meu apoio. Algo me dizia para lhe contar sobre o meu sonho, o da assinatura do meu pai, para que, de alguma forma, ele visse que a morte é apenas uma passagem&#8230;</p>
<p align="left">Achei meio patético naquela hora. Em outra hora contaria, em momento mais apropriado.</p>
<p align="left">O mundo é cheio dessas coisas e a gente nunca aprende:  não mencionei o sonho.</p>
<p>Só que uma semana depois essa possibilidade estava enterrada.</p>
<p>Meu amigo havia falecido.</p>
<p>E com ele, terra abaixo, o sonho que não contei.</p>
<p align="left">
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Deus, Powerpoint &amp; Cia.</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Sep 2009 17:04:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Despoesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dos mais &#8220;idiotificantes&#8221; e-mails que já recebi foi um no qual havia uma apresentação Powerpoint anexa chamada  &#8221;Com Deus não se brinca&#8221;. Só pelo título &#8212; ameaçador &#8212; o leitor pode ter uma noção da &#8220;filosofia&#8221; do autor e do público oco no qual o e-mail recebe acolhimento: tenta convencer pelo medo, mostra a ditadura divina que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>Um dos mais &#8220;idiotificantes&#8221; e-mails que já recebi foi um no qual havia uma apresentação Powerpoint anexa chamada  &#8221;Com Deus não se brinca&#8221;.</div>
<div>Só pelo título &#8212; ameaçador &#8212; o leitor pode ter uma noção da &#8220;filosofia&#8221; do autor e do público oco no qual o e-mail recebe acolhimento: tenta convencer pelo medo, mostra a ditadura divina que elimina QUALQUER livre arbítrio.  Você não pode xingar Deus, não pode, num momento de revolta e/ou desabafo, dizer coisa alguma contra Ele. Mas pode fazer tudo o mais, seja lá o que isso for.</div>
<div>A mensagem é parcial, fragmentada, distorcida, insana. Vejamos alguns pontos do PPS:</div>
<div>John Lennon disse que os Beatles eram mais famosos que Jesus. Morreu algum tempo depois. Quem matou John Lennon? Um fã, enlouquecido.Conclusão: fã mandado por Deus.</div>
<div>O autor frisa que o assassino era seu PRÓPRIO fã, tentando nos fazer engolir que fãs amam seus ídolos e se aquele matou, algo há de estranho. Com esse raciocínio montado, ele nos induz a pensar em castigo. Sim, porque jamais um fã faria isso!  Fãs são criaturas tão lógicas e taciturnas! Foi castigo, mesmo. Foi Deus.</div>
<div>Contra Tancredo, de acordo com o autor, foi Deus que o matou. Foi, mas não foi à toa. O homem havia dito que nem Deus o tiraria de lá. O estranho é que Ele concordou em manter por  ANOS A FIO uma ditadura, regida por gente  que não falou nada contra Deus mas fez muita coisa ruim contra MUITAS pessoas? Qual é a ditadura, afinal?</div>
<div>Brizola falou sobre o Demônio (nada contra Deus desta vez)  e, vejam só, não foi eleito. Collor venceu, opção de um Deus ofendido. O confisco da poupança e alguns suicídios que daí vieram não haviam sido antevistos por Deus, ou Ele viu que era bom?</div>
<div>Quanto a Cazuza, morreu por ter mandado um trago para Nosso Senhor. Não por excessos dos mais variados. Sim, qualquer pessoa drogada ou alcoolizada pode bater na mãe e espancar os filhos, mas NUNCA mandar um trago para Deus. Foi só por isso que ele morreu.</div>
<p>Saideira:</p>
<div>Billy Graham visitou Marilyn Monroe MANDADO pelo Espírito Santo mas foi recusado, diz a mensagem. Mandado. O autor toma isso como normal, como se fosse a coisa mais natural e certa do mundo, no mesmo mesmo patamar de alguém que diz  &#8221;recebi uma carta&#8221; ou &#8220;comi uma coxinha&#8221;.  Semanas depois ela aparece morta. Claro. Ela recusou a visita do Espírito Santo. Volto a perguntar: qual a ditadura, afinal?</div>
<div>Não gostaria sequer de perder tempo citando outros trechos da mensagem tosca: são parciais, mal construídos, e só podem caber em cabeças pequenas.</div>
<div>Eu me pergunto se todos no World Trade Center haviam ofendido a Deus, se muitos religiosos mortos brutalmente desafiaram Deus e se mesmo Jesus fez alguma coisa contra Ele para merecer tal sofrimento.,</div>
<div>Entende-se que a vida seja chata e que algumas pessoas precisem de emoções e mistérios, mas às vezes temos que abrir os olhos para o óbvio.</div>
<div>O fato é que as pessoas morrem das mais diferentes formas, há estranhas coincidências (ou nem tanto), há coisas lógicas, mas não há punição Divina nisso: Deus deu o livre-arbítrio ATÉ o Julgamento Final, não foi? (pensando bem, que &#8220;BELO&#8221; livre-arbítrio! Uma liberdade com julgamento no fim)</div>
<div>Há, sim,  um sistema de crenças  feito por HOMENS que querem manter um esquema onde o medo seja soberano e permita que uns mandem em outros.</div>
<div>Para download desta barbaridade:</div>
<div><a href="http://www.csa-ocidental.com/FAMOSOS_QUE_DESAFIARAM_DEUS_II_.pps">http://www.csa-ocidental.com/FAMOSOS_QUE_DESAFIARAM_DEUS_II_.pps</a></div>
<p>Os autores de tal arquivo Powerpoint, crentes e tementes que são, deveriam temer mais a Deus e brincar menos. E ser menos irresponsáveis com o que escrevem.</p>
<p>Agora, se Deus existir e REALMENTE for desse jeito, prefiro tomar um café bem sossegadamente com Lampião. É mais seguro.</p>
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